quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A nós que ficamos!

Tem pessoas que passam pela vida como um relâmpago, que ilumina, mas ao mesmo tempo assusta pelo fato de ser inesperada a vinda e também a ida.

Não existe vida curta, existe vida vivida e o tempo não é capaz de tirar da memória, nunca, aqueles que deixaram marcas. Quem viveu pouco viveu a vida e pronto! Somos nós que queremos entender porque se foram.

Importa o que eles deixaram em nós que será levado para sempre naquele lugar da vida que chamamos de coração.


Novidade tão antiga

Paz e bem!

O grande objetivo da vida do cristão deveria ser tornar-se um seguidor de Jesus. O seguimento torna a pessoa comprometida, vinculada, "associada", em uma única palavra, discípula. Se o seguidor não é um discípulo acaba orientando mal seu olhar para Jesus, ou seja, deixa de cumprir com o desejo maior Dele que é a vivência do Reino no mundo, fruto da profunda experiência do Evangelho anunciado.

Nestes tempos o Evangelho procura discípulos e não fãs, admiradores, buscadores de milagres... Tornar-se discípulo é uma escolha. E como toda escolha empreendida, compromete a vida!

Sejamos neste mundo discípulos de Jesus, anunciadores de uma nova esperança tão antiga!

sábado, 30 de março de 2013

“Então ELAS se lembraram das palavras de Jesus.” (Lc 24, 8)

No Evangelho de Lucas as mulheres têm posição privilegiada, sendo colocada ao lado dos Doze no seguimento de Jesus. No dia da Páscoa elas chegam ao ponto mais alto de sua missão: são as primeiras a deixar-se envolver pela revelação do céu; são as primeiras a recordar da Palavra; são as primeiras que anunciam a Ressurreição. (Armellini)

Existe uma dimensão feminina e maternal na salvação que Deus nos traz. Esse caráter vem de Maria porque ela é mãe de Cristo e mãe dos homens. A salvação divina é terna como amor materno; aconcheggante como o gesto da mãe que toma o filhinho em seus braços, acaricia-o e dá-lhe de comer; radical e inteira como costuma ser o amor da mulher e da mãe. (cf Is 49, 15-16) (L. Boff)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Testando!

A vida sempre se renova e se recria. A cada amanhecer novas forças podem nos impulsionar em direção da vida nova tão necessária a todos nós.

Nestes novos tempos, os tempos novos... Mas o que é na verdade?

Na verdade esse é só um textto para teste do blog, que há tanto tempo já não mais acessava.

Vamos retomá-lo com força!

sábado, 5 de maio de 2012

"A verdade deve ser contemplada, não uma, mas muitas vezes. Só assim, ela pode ser saboreada. Só assim ela é interiorizada. A repetição é o princípio da vida, como o coração, que, repetindo sua batida, mantém-nos vivos; parando de repetir-se, mata-nos. Ou como o pulmão, que repete seu ritmo imperceptivelmente. Ou como o sangue, que circula sempre pelo mesmos lugares; quando pára, o lugar morre.

A repetição, o ritmo, a cadência valem tambbém para a vida no Espírito. A Palavra precisa ser sempre de novo ouvida, mastigada e assimilada para nos fazer viver e crescer. Não se come uma vez por todas. Come-se todos os dias. Algumas vezes ao dia. Constantemente recordada, a Palavra se imprime em nós, nos modifica e nos assimila a si. Pode chegar ao ponto de "não ser mais eu que vivo, mas Cristo vive em mim". A gente vive daquilo que recorda, quer dizer, daquilo que traz de novo ao coração. A gente vive daquilo que está no coração. A repetição não cansa nem enjoa. O que é bom fica melhor. O que é belo, fica lindo. A repetição é o segredo da contemplação. E a contemplação nos torna reflexos da beleza de Deus."

(Pe. José Antonio de Almeida)

sábado, 14 de abril de 2012

Filosofia Franciscana

Pequeno resumo da Filosofia Franciscana:

"A liberdade é a alma da verdade e garantia da gratuidade de tudo aquilo que é".
(Orlando Todisco ofm conv.)

Nestas poucas palavras existe um mundo magnífico. São Francisco realmente instituiu um novo modo de viver, revolucionário ainda hoje e para sempre.

Porque?

Deus o sabe!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ele «desceu» verdadeiramente.

“Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.


Com a Encarnação do Verbo fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco. O seu reino estende-se até aos confins da terra.


Assim faz parte da Noite Santa o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração.


No Natal Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver


paz na terra.

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(BXVI)

sábado, 1 de outubro de 2011

São Francisco e a Paz

No mês de outubro celebramos a grande festa de São Francisco de Assis, reconhecidamente uma das maiores personalidades que a história humana encontrou. Esse homem, sua vida e seus feitos desperta em nós uma questão: como um homem que se tornou tão grande e importante pôde alcançar todo este destaque se apenas quis ser “pobre e desprezado” e gostava de ser chamado de “idiota”, ou seja, de burro?

Vejamos o seguinte. O ser humano, no profundo de si, sempre quis e quer a paz. Paz como disposição do espírito que nos faz encontrar plenitude e harmonia e nos lança para sempre rumo a um novo encontro com o que pode nos tornar pessoas felizes e livres. São Francisco, com sua vida, demonstra que o suficiente para ser pleno e feliz não está no acumular, no dominar, na auto-suficiência, menos ainda no narcisismo egocêntrico que não dá espaço ao todo que nos envolve. Ele quis para si o pouco para ter Aquele que basta e que é o Criador de tudo, Deus. Não centrar-se na criatura, mas no Criador, foi seu grande ensinamento e por isso se relacionava com o todo chamando de irmão. São Francisco é o homem da Paz porque não ficou parado esperando, mas na sua inquietude correu atrás Daquele que o tinha cativado e chamado. Francisco, o santo da fraternidade universal. Nele, todos os homens, cada pessoa sabe que é amada, pois ele se encontrou com o Amor verdadeiro. O relacionamento pessoal e íntimo com Deus nos abre a um relacionamento com as pessoas que não é superficial, mas verdadeiro e especial: são também os pobres, os escolhidos de Deus, e todos nós seres humanos somos pobres, pois carecemos do encontro com Deus.


Na 15ª Admoestação, São Francisco sobre a paz afirma: “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. São verdadeiramente pacíficos os que, de tudo quanto padecem neste mundo, conservam a paz na alma e no corpo, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.” A paz é conseqüência de uma busca serena de comunhão com Deus, pela oração, no encontro com o próximo pela prática da justiça; comunhão também com o cosmos pela conservação de todo o nosso planeta como nossa casa comum.

PAZ E BEM!

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MDT

sábado, 17 de setembro de 2011

Impressão das Chagas do Crucificado em São Francisco de Assis

17 de setembro:
Dia da Impressão das Chagas em São Francisco de Assis, acontecido em 1224 no Monte Alverne, como consequência de uma busca de Jesus tão profunda que os sinais do Crucificado ficaram impressos em seu corpo.

Alguns se preocupam de dizer que foi mera sugestão psicológica.


Eu concordo!!!


Afinal, o ser humano não é uma totalidade que envolve também seu ser psicológico, além do físico, do biológico, do estético e etc.? Como Deus se revelaria na história humana se não fosse por estes meios humanos tão sagrados?


Deus sabe o que faz!

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MDT

terça-feira, 6 de setembro de 2011

GRITO DOS EXCLUÍDOS 2011 - Manifesto Nacional


Queremos ver brilhar o Sol no rosto de cada ser humano. Queremos um sorriso de confiança e de esperança de que “Outro Mundo é Possível”, com a necessária transformação das estruturas sociais e das condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer e cultura;

Queremos que todas as pessoas, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade social (crianças, adolescentes, jovens, idosos e pessoas com deficiência) tenham um lugar digno e o direito de viver com alegria e paz, resgatando a enorme dívida social;


Os grandes empreendimentos estão deixando as comunidades com fome e doentes, expulsando-as de suas culturas e costumes, ameaçando a soberania alimentar, levando os povos e comunidades tradicionais, à beira da morte, contribuindo para o aumento da dívida, interna e externa, que recaem sobre o povo;
Os tiranos, ditadores e opressores, agora e sempre, podem nos agredir, perseguir, caluniar e suprimir-nos pela força, tortura e maus tratos.

Podem até matar os nossos corpos, mas não calarão o nosso Grito de Protesto pela dignidade e pela justiça social.

PELA VIDA – PELA PAZ – POR IGUALDADE, JUSTIÇA E DIGNIDADE SOCIAL!

NÃO À RESIGNAÇÃO, À POBREZA E A MISÉRIA!


SIM A PAZ E A JUSTIÇA!

BASTA DE VIOLÊNCIA!


PELO CUMPRIMENTO DAS METAS DO MILÊNIO!

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Fonte: Extraído do texto do texto do Manifesto do Grito dos excluídos 2011.

Esta é a centésima postagem deste blog.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DIA DA AMAZÔNIA



SHOW DO MINISTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."

"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas
mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!

ESTA MATÉRIA NÃO FOI PUBLICADA, POR RAZÕES ÓBVIAS.
AJUDE A DIVULGÁ-LA, SE POSSÍVEL FAÇA TRADUÇÃO PARA OUTRAS LÍNGUAS QUE DOMINAR.

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Fonte: Texto recebido por e-mail.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

LUTAR NO PRESENTE PELO FUTURO

Estamos numa época imediatista? Acompanhando o noticiário sobre o movimento de protesto pela qualidade na educação que está acontecendo no Chile, podemos deixar despertar em nós uma reflexão contundente sobre nossa sociedade brasileira muito pacata e conformada. Podemos responder que sim, estamos numa época em que nos preocupamos com os benefícios para nossa vida “no” agora, “no” já, “no” imediato e por isso podemos dizer que estamos afundados numa sociedade na qual valoriza a “esperteza”, o maldito “jeitinho” e que tem como conseqüência um estado-cultura de corrupção generalizada. Mas nos deixemos provocar por esta afirmação do filósofo alemão Martin Heidegger:


“Não sabemos mais esperar e isso significa que desaprendemos que a primeira tarefa de toda geração que quer algo consiste em que ela se sacrifique pela geração seguinte, sem resignação, mas muito mais com a força interior e com a segurança daquele que compreendeu que em todas as realizações autenticamente humanas cada um não pode ser “senão” precursor para algum outro.”


Sim, uma geração que se sacrifique por outra! Utopia? Não! Mas, gratidão. Gratidão histórica pelos nossos antepassados, pela nossa tradição, pelos que justamente lutaram e se entregaram por causas nobres sem esperar nada em troca para si mesmo ou para seu grupo, mas unicamente movidos pelo profundo desejo de mudança e de transformação.

Uma geração pela outra. Trabalhar no presente para que nosso mundo “continue habitável”, para todos, sem distinção, e que os recursos naturais sejam distribuídos também para todos e não para benefícios de alguns enriquecidos e “prevalecidos”. O Chile está nos ensinando (e que não se reduza apenas no campo da educação, mas se estenda para tudo) que não adianta ficar parado esperando. Ou acontece uma mobilização por uma nova sociedade (a começar da educação), baseada em princípios justos e fraternos ou simplesmente seremos todos estranhos uns aos outros. Isso pode soar pessimista ou negativista, mas e se olharmos como uma constatação?


Uma geração pela outra: visão histórica da vida.
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MDT

domingo, 29 de maio de 2011

Vocação é amar

Sabemos que para permanecer unidos a Trindade temos um caminho somente: este caminho é o Amor. Acolher os mandamentos de Deus é sinal de que o amamos, melhor dizendo, não somos indiferentes a sua presença em nosso meio. “Quem acolheu meus mandamentos e os observa, esse me ama.” (Jo 14,21)

Jesus se manifesta no amor, mas o que significa isso na verdade? A grande novidade para a humanidade inteira, que não pode perder o frescor, é a mensagem de que Deus nos ama. Sim, essa é a velha notícia que nunca deixa de ser novidade e se torna salvadora , porque sabemos que no mais profundo do ser humano existe o anseio pelo amor e por Deus.

É missão nossa, como Igreja, estando atentos aos sinais dos tempos, levar cada uma das pessoas que encontramos a fazer uma experiência profunda do amor de Deus. Recentemente, no dia 25 de setembro do passado ano, foi beatificada a jovem Chiara Luce Badano, que morreu em 1990, com apenas 19 anos, acometida por um câncer. Determinado momento da vida ela ficou muito debilitada devido ao rigor do tratamento e o avançar da doença. Questionada sobre isso ela respondeu: “Descobri que Deus me ama, então tenho tudo.” Todos buscamos plenitude, sentido de vida, alegria, por isso os que tomam caminho errado se entregam aos diversos vícios. E qual a melhor resposta a esta realidade? Deus é a plenitude, o sentido maior da vida, a verdadeira alegria, ele é o AMOR. Desafio a nós é tornar isso presente pelo testemunho pessoal e comunitário.

Deus se manifesta nas realidades mais simples da nossa vida. Comece a ficar mais atento aos acontecimentos. Mesmo nos momentos mais difíceis você é capaz de saber que Deus está lhe chamando, nesta situação, a uma nova experiência de transformação pessoal, de mudança de vida? Ou na alegrias, por mais pequenas e fugazes que sejam, não vê Deus denunciando que o que importa mesmo é estar em comunhão com Ele, com os outros seres humanos, com o mundo, consigo mesmo?
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MDT

terça-feira, 19 de abril de 2011

Deus e o absurdo da Cruz

Deus deve ser buscado no contrário. Lá onde não parece haver Deus, lá onde parece que ele se retirou: lá está maximamente Deus. Essa é a lógica da cruz que é escândalo para a razão e deve ser assim mantida, porque só assim temos um acesso a Deus que de outra maneira jamais teríamos. A razão busca as causas da dor, as razões do mal. A CRUZ não busca causa nenhuma: aí mesmo na dor Deus está maximamente. Onde se via ausência de Deus, na lógica da cruz, está a plena revelação de Deus. A cruz deve se manter como cruz, como uma treva diante da luz da razão e da sabedoria deste mundo.

A ressurreição não é obra da luz da razão, mas das trevas da morte. O ressuscitado é o abandonado, o rejeitado. Isso vem mostrar que dentro do abandono e da rejeição há uma vida diferente e plenamente divina: é a RESSURREIÇÃO.

Então, se a cruz é absurdo, mais absurdo ainda é Deus tê-la assumido. Embora absurda ela não constitui limite para Deus.

A essência do amor se realiza em poder estar no outro enquanto outro, no totalmente outro. O totalmente outro de mim é o inimigo. Amar o inimigo (cruz), poder estar nele, assumi-lo, isso é obra do amor. A cruz assumida realiza totalmente o homem, porque lhe confere a chance de amar mais sublime. A cruz não é amor, nem fruto do amor. É o lugar onde se mostra o que pode o amor. Então liberta.

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Reflexão do filósofo e teólogo Leonardo Boff.

Da obra Paixão de Cristo Paixão do Mundo

domingo, 2 de janeiro de 2011

ARRISCAR-SE NUMA SAÍDA RUMO AO DESCONHECIDO - PARTE III

Aqui se revela um Deus que pede ao homem que ele creia. E esta fé não tem nada que ver com a aceitação racionalizada de fórmulas de artigos de fé.
Deus não perguntou por dogmas. As leis formuladas por zelosos doutores da Lei e teólogos fundamentalistas deixaram-no indiferente.
O Deus desconhecido revela-se um Deus com qualidades extremamente incômodas.
Seu pedido de fé não se refere a um “aceitar como verdadeiros” certos princípios. Nada disso. O que ele quer são decisões que mudam a vida. Orientação da vida para ele, ruptura de estruturas cimentadas.
Em lugar das certezas, as dúvidas.
E em vez de indicações exatas do rumo a seguir, apenas as palavras: “Eu mostrarei para onde!”.
Mas não só isso.
O mostrar não acontece num distante descompromisso.
Quando o homem parte Deus parte com ele. Eu estarei contigo!
Quando Deus chama, não abandona.
Experiência feliz e ao mesmo tempo assustadora, pois este Deus segue caminhos bem diferentes dos que o homem gostaria de trilhar: Meus pensamentos não são os vossos pensamentos e meus caminhos não são os vossos caminhos.
Abraão experimentou isso e depois dele gerações de outros que ousaram relacionar-se com ele, que sucumbiram a ele e suas seduções atrativas, seduzidos, inquietos, apaixonados, lançaram sua vida na grande aventura: DEUS.
Eu estarei contigo!
Em que medida Abraão depois se arrependeu da sua decisão e da sua partida, quando por ordem desse Deus levou seu próprio filho ao monte para ali sacrificá-lo, é um mistério sobre o qual nada sabemos. Era tudo uma prova, e Abraão superou-a. Não vamos discutir se realmente assim aconteceu. Mas a mensagem permanece: Deus prova!
E quando ele prova, àquele que é provado não resta mais nada de cantos angélicos e do Deus amoroso – só resta a noite do não-entender. Meus caminhos não são os vossos caminhos!
A partida não ocorre sem sofrimento. A escuridão para dentro da qual Deus chama não é uma frase vazia, mas experiência real do tormento. Tentação para a revolta. Assim não! O sim retratado. “Se tivéssemos permanecido junto às nossas panelas cheias de carne do Egito!” Abandonar aquilo a que nos acostumamos não é fácil.
Eu creio! Uma frase perigosa; quem a pronuncia pense bem!
Com Moisés temos o seguinte: Deus escolhe alguém, que não sabe falar, para falar diante do rei do Egito. É possível que assim fosse, mas não é essencial, pois toda personalidade de Moisés é tão inadequada para a missão que nenhuma pessoa sensata teria idéia de escolhê-lo. Com ou sem gagueira. Pois quem se dirigia a um criminoso foragido, quando se trata de negociar com o senhor supremo e príncipe do país? Logo se pensaria em diplomatas ou dignatários da corte.
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(Renold Blank: Deus: uma proposta alternativa. Paulus: 1999.)
Publicação devidamente autorizada pelo autor.
Esta é a última parte de seu magnífico texto. Obrigado ao professor Blank pela generosidade de patilhar sua experiência com palavras tão simples e profundas ao mesmo tempo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Natal dos "sábios" e dos pastores...

Os primeiros que vieram ao pé de Jesus na manjedoura e puderam encontrar o Redentor do mundo foram os pastores, as almas simples. Os sábios vindos do Oriente, os representantes daqueles que possuem nível e nome chegaram muito mais tarde. O motivo é totalmente óbvio.
De fato, os pastores habitavam perto.
Não tinham de fazer mais nada senão «atravessar» (cf. Lc 2, 15), como se atravessa um breve espaço para ir ter com os vizinhos.
Ao contrário, os sábios habitavam longe. Tinham de percorrer um caminho longo e difícil para chegar a Belém. E precisavam de guia e de orientação.
Pois bem, hoje também existem almas simples e humildes que habitam muito perto do Senhor. São, por assim dizer, os seus vizinhos e podem facilmente ir ter com Ele.
Mas a maior parte de nós, homens modernos, vive longe de Jesus Cristo, d’Aquele que Se fez homem, de Deus que veio para o nosso meio.
Vivemos em filosofias, em negócios e ocupações que nos enchem totalmente e a partir dos quais o caminho para a manjedoura é muito longo. De variados modos e repetidamente, Deus tem de nos impelir e dar uma mão para podermos sair da enrodilhada dos nossos pensamentos e ocupações e encontrar o caminho para Ele.
Mas há um caminho para todos. Para todos, o Senhor estabelece sinais adequados a cada um. Chama-nos a todos, para que nos seja possível também dizer:
Levantemo-nos, «atravessemos», vamos a Belém, até junto d’Aquele Deus que veio ao nosso encontro. Sim, Deus encaminhou-Se para nós.
Sozinhos, não poderíamos chegar até Ele.
O caminho supera as nossas forças.
Mas Deus desceu. Vem ao nosso encontro. Percorreu a parte mais longa do caminho. Agora pede-nos: Vinde e vede quanto vos amo. Vinde e vede que Eu estou aqui. Atravessemos para o outro lado! Ultrapassemo-nos a nós mesmos! Façamo-nos viandantes rumo a Deus dos mais variados modos: sentindo-nos interiormente a caminho para Ele;
mas também em caminhos muito concretos, como na Liturgia da Igreja, no serviço do próximo onde Cristo me espera.

«Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Messias Senhor» (Lc 2, 11). O Senhor está presente. Desde então, Deus é verdadeiramente um «Deus conosco». Já não é o Deus distante, que, através da criação e por meio da consciência, se pode de algum modo intuir de longe. Ele entrou no mundo. É o Vizinho. Disse-o Cristo ressuscitado aos Seus, a nós: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).
(Bento XVI)

FELIZ NATAL E NO PRÓXIMO ANO ABRA SEMPRE MAIS O SEU CORAÇÃO AO MISTÉRIO DO AMOR VINDO A NÓS NA POBREZA DA MANJEDOURA!
SEJA FORTE!
SEJA FELIZ!
SEMPRE O AMOR!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

ARRISCAR-SE NUMA SAÍDA RUMO AO DESCONHECIDO - PARTE II

(Divulgação devidamente autorizida pelo autor.)

De um Deus que aborda pessoalmente o homem. Mas que o desafia para um risco.
E com isso voltamos novamente à imagem desse Deus, que se manifesta na revelação.
Não um Deus caseiro.
Muito ao contrário, um Deus que chama para o novo, que não deixa o homem descansar porque ele próprio é dinâmico. Isso parece tão bonito e na era da juventude efetivamente entendemos bastante esse traço característico.
E ao contrário dos planos de viagens do Itaú-Turismo na sua oferta publicitária, não há nenhum destino.
“Toma teus rebanhos e todos os teus bens e parte para uma terra que eu te mostrarei!”
Nada de praias ensolaradas com pin-up-girls. Goze a beleza de Miame. Falta até pôr-do-sol com tamareiras no fundo.
Em vez disso, apenas uma palavra: eu te mostrarei para onde. Nada mais.
Nenhum destino final.
Será possível determinar o infinito?
Partida rumo ao desconhecido, comparável ao caminho do homem para a utopia de uma vida ainda não vivida.
Como se Deus já aqui tivesse em vista aquele indeterminado, aquela cobertura para um projeto ainda a ser realizado.
Isso seria uma justificação pedagógica para o modo de seu agir, talvez até haja algo de verdade nisso; uma explicação para esta evidente propriedade de Deus, que o torna tão difícil, então e agora:
Ele deixa a saída aberta.
Não oferece metas fixas.
Oferece só a si:
“Vai, e, quando fores, te mostrarei para onde!”.
Este chamado implica atividade do homem.
Um chamado para a criatividade e a iniciativa própria.
Um Deus que ama o risco!
Quem não parte e não se põe a caminho também não recebe nenhuma orientação sobre o rumo a seguir.
Mas quem ousa e vai não tem nada na mão que possa justificar o seu caminhar.
Mostrar-te-ei para onde!
Quem empreende alguma coisa atendendo tal palavra é um louco. Mas parece que é exatamente isso que Deus quer. Uma segunda propriedade. Por assim dizer uma “mania” do Deus que se revela a Abraão.
Quer que o homem se entregue a ele sem nenhuma reserva. Isso não é fácil. Nem hoje nem naquele tempo. Afinal, como é que ficam os princípios do pensamento econômico, do planejamento da sociedade de consumo, orientada para o desenvolvimento, ou simplesmente a lógica?
Permanece uma mensagem.
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Renold Blank: Deus: uma proposta alternativa. Paulus: 1999. Adaptação das pgs. 18-29

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ARRISCAR-SE NUMA SAÍDA RUMO AO DESCONHECIDO - Parte I

Paz e bem a todos
A partir de hoje, numa seqüência de três partes, nos enriqueceremos com as palavras do professor Renold Blank. A publicação foi gentilmente autorizada pelo autor.

A aventura com Deus, iniciada na dúvida e sob protesto. Certamente nada de grandes iluminações, nada de vozes no sonho. Nem hoje, nem naquele tempo, no século 17 aC , quando um homem parte e com todo seu clã deixa a saturada tranqüilidade de uma riqueza bem adquirida.
Fala-se de Ur na Caldéia.
Nas pastagens junto ao Eufrates ou no escritório da construtora BBC. Nenhuma provável aparição, nem aqui nem lá; e nenhuma voz no sonho, apesar da bela história. Mas, um dia, um homem se faz no caminho, apesar de todas as resistências. E apesar dos protestos das filhas e dos genros.
E se for perguntado para onde vai, não sabe responder.
Mas parte porque Deus o chamou. Porque não lhe deixou descanso, talvez durante anos, enquanto estava sentado diante de sua tenda ou na varanda da casa alugada e sonhava ao pôr-do-sol.
É isso espantoso nessa figura, sobre a qual os estudiosos da Bíblia e os historiadores da civilização ainda hoje continuam a discutir. O que ela encerra não se deixa enquadrar no curso secular dos fatos administrados entre nascimento e morte. Em meio à segurança de um país rico e próspero irrompe um perturbador, que não quer calar e não quer ouvir os argumentos da razão e as objeções dos genros; e esse perturbador é Deus. Já no começo da história da sua ação com os homens, esse Deus aparece como alguém que perturba o descanso.
O descanso de Abraão diante de sua tenda e o dos turistas fotógrafos: o Deus desconhecido, em gótico ou renascentista, concreto armado do fim do século XX ou tijolos nas capelas das fazendas dos latifundiários do Peru, na Argentina e no Brasil. Os sem-terra são enxotados com polícia e cães, e, se o padre não quiser mais rezar a missa, também terá de fugir.
E para dentro dessa realidade Deus lança o seu chamado e começa com o homem uma aventura cujo fim não é previsível. Sobretudo para o envolvido. Talvez esteja aqui o caráter perpetuamente intrigante da história de Abraão. Este Deus revela-se um Deus que age. Um Deus que toma a iniciativa a despeito do bom senso da argumentação lógica, a despeito também das filhas o dos genros, que provavelmente devem ter murmurado entre si contra o velho, “mania de velho”, “agora totalmente caduco”, naqueles dias de partida, cochichando pelos cantos da casa.
O velho não se deixou desviar, e nisso está a grandeza que o transformou em protótipo de todos aqueles que tem fé.
Partida rumo ao desconhecido.
Partida rumo a novas margens, mesmo que essas margens ainda sejam desconhecidas.
Partida, simplesmente seguindo a palavra de um Deus que chama e vocaciona.
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Renold Blank: Deus: uma proposta alternativa. Paulus: 1999. Adaptação das pgs. 18-29

sábado, 23 de outubro de 2010

Discípulo missionário em busca do sentido da vida

Do sentido vive o ser humano. Qualquer pessoa, de qualquer nacionalidade, seja qual idade estiver, está a “mendigar” um sentido profundo para a vida. Do ver a luz pela primeira vez ao fechar último dos olhos estamos buscando.
A nossa fé, ensinada por Jesus e tornada mandato para difusão a todo o mundo, está plenamente envolvida desta intenção: ser sentido para o humano e o sentido mais profundo, pois deixamos de lado a epidérmica compreensão da vida para ir ao fundo da existência. Em Jesus temos uma certeza: Deus está presente junto a nós em nossa vida, caminha conosco, faz história na nossa história pessoal e social.
Mas não podemos dizer isso apenas como uma notícia de jornal. Temos que sentir na carne que Deus, o Senhor que me dá a vida, e não coisas simplesmente, este nosso Deus que se dá a si mesmo, sem medo do que faremos com Ele, suplica de todos nós humanos uma disposição de arriscar-se Nele, deixar tudo, segui-Lo num amor sem condições.
Estes tempos em que vivemos, o mundo (as pessoas) precisamos de cristãos que dêem um grande testemunho de amor por Deus-Amor. Seremos significativos para a sociedade de hoje na medida em que não medirmos esforços na luta pela implantação do Reino de Deus no meio dos homens.
Mas para isso precisamos de uma compreensão profunda do Reino. A preocupação central de Jesus em seu ministério foi a difusão do Reino. Essa é a expressão correta: DIFUSÃO DO REINO DE DEUS. Então, em que consiste o Reino: segundo o Evangelho é o mundo transformado pela vivência concreta da justiça, numa vida impregnada pelo sentido do amor que distribui igualitariamente todos os bens da terra a todos os homens. Tudo isso é u-topia (não-lugar, significado desta palavra)? Resposta: NÃO! Isso é nossa missão como cristãos, de continuar, como mandato, o que Jesus começou. O Reino de Deus NÃO É algo que devemos esperar para o futuro, mas é realidade que tem que acontecer já, pois “o Reino de Deus, como disse Jesus, está em vosso meio.” O Reino não constitui um território, mas o modo de atuar de Deus, mediante o qual se faz senhor sobre toda a sua criação. Reino de Deus é o sentido das coisas, de tudo e do todo voltado para Deus (Boff).
Isso cobre de sentido a vida das pessoas, pois não é apenas esforço para mudar o exterior, mas empenho de mudar-se a si mesmo conjuntamente: mudar toda vida, desde o interior, que assim, se difundirá na vida das pessoas todas.
Deus quer participar de nossa vida, para isso basta que arrebentemos a tranca que fecha a porta da nossa vida e deixemos que Ele arme em nós sua tenda (Jo 1). Daí sim saberemos o que é felicidade, o que é vida rica de sentido, o que é deixar tudo para seguir o mestre Jesus...
Avancemos, pois como afirmou São Francisco no final de sua vida, é preciso começar, pois até agora pouco ou nada fizemos! CORAGEM!
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MDT