sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vocação e Bíblia = Palavra de Deus

Vocação e Bíblia denotam uma única perspectiva concreta: todas as duas são Palavra de Deus às pessoas. Nesse sentido, faz-se necessário adentrar na dinâmica vital da ação de Deus direcionada aos homens de cada tempo.
Toda pessoa tem vocação que vem de Deus. Seja a vocação qual for, quer dizer que o homem está diante de Deus, porque acima de tudo, para responder ao chamado de Deus não se pode estar estagnado. O que isso quer dizer? Vocação é caminhar, deslocar-se, estar atento ao que fala quem está chamando, pois no fundo está um grande ideal de partida rumo ao desconhecido, como aconteceu com Abraão, Moisés, Paulo, Maria, Francisco de Assis, enfim, todos os vocacionados da história que não se fizeram surdos aos apelos de Deus e corajosamente largaram tudo e partiram (Mt 13, 44-46). No profundo do coração estava o anseio do serviço a Deus e aos outros.
Deus ama o ser humano e por isso o vocaciona, para que sua vida tenha sentido. Como afirmou o grande teólogo Schillebeeckx “os homens são as palavras com as quais Deus narra sua história”, ou seja, com o homem e no homem podemos encontrar a ação de Deus concreta, no sentido de que falar de Deus é não elaborar abstrações fora da realidade, mas falar Deus implica estar atento ao real contexto no qual estamos situados para poder discernir seus sinais de chamado. Enquanto os meios de comunicação olham o ser humano como ser potencialmente consumidor, atribuindo-lhe tal função consumista, Deus chama cada pessoa para construir uma história diferente, onde o que impera é seu amor salvador.
Contudo, a Palavra de Deus direcionada às pessoas via Bíblia ou vocação, tem no fundo de si a responsabilidade de assumir o desafio da resposta a Deus. Como uma sociedade essencialmente consumista que se define por seguranças sejam econômicas, familiares ou grupais, a vocação, de modo especial a religião como um todo, corre o sério perigo de se apresentar como “light e bonita”, o que pode fazer desaparecer o senso do desafio, da escolha e da renúncia permanente por amor a Deus e aos outros (cf. Imoda e Kiely, Buscando Jesus).
A finalidade da vocação é o dom de si mesmo. Por isso, uma pessoa que não tem a capacidade do autodesprendimento em vista do chamado feito por Deus, de sua Palavra libertadora, por uma abertura de seu coração deixando tudo para segui-lo, pode estar trilhando pela estrada do sem-sentido desmotivador e empobrecedor das perspectivas de vida. Abramos o coração e toda nossa vida a Deus e não construamos muros de separação entre a Trindade e nós.
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MDT

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bíblia e vocação: realidade dinâmica

“A Bíblia é como uma obra de arte. Quando um artista tem uma inspiração, ele procura expressá-la. A poesia ou a imagem que daí resulta carrega dentro de si uma inspiração. A inspiração é como a força elétrica que corre invisível pelos fios de cobre...” (frei Carlos Mesters)
A Sagrada Escritura, que é Palavra de Deus aos homens de todos os tempos, apresenta uma realidade dinâmica com relação ao Homem e a Deus: essa realidade dinâmica chamamos DECISÃO.
A realidade vocacional implica uma dupla direção vital. Deus vem ao encontro da pessoa, a chama, e o ao mesmo tempo a pessoa chamada deve decidir-se. O maior empecilho em nossos dias está relacionado à capacidade e competência para decidir-se. Decisão implica, sem dúvida, renúncias, implica caminhar numa direção, não com os olhos tapados como um alienado, mas concentrado na decisão assumida.
Na Bíblia encontramos todo tipo de vocacionado: o corajoso, o medroso, o temperamental, enfim, tantos tipos de realidades que não deixam de transparecer para nós que Deus dialoga com todos estes e os confia a missão de falar em nome Dele. Na verdade, Deus ama a condição humana, por isso se encarna e é humano do modo como só ele pode ser humano, como afirmava o papa Leão Magno.
“A Bíblia é a história da vocação de um povo. É o álbum de fotos das pessoas chamadas, homens e mulheres, rapazes e moças, jovens e velhos, casados e solteiros. É o espelho de nossa caminhada, a história de nossa vocação.” (frei C. Mesters)
Neste mês da Bíblia vamos intensificar nosso relacionamento com Deus através de sua Palavra e desse modo nos animar ainda mais em nossa vocação já discernida ou a ainda a discernir.
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MDT

FATO VERÍDICO!

Fato ocorrido em 1892, verdadeiro e integrante de biografia.Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal.Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação,falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência. O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário. Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba.

No cartão estava escrito:
Professor Doutor Louis Pasteur!
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

III Congresso Vocacional do Brasil: sempre-nova pedagogia do Encontro

Entre os dias 3 e 7 de setembro, na cidade de Indaiatuba, no bairro de Itaici, realizar-se-á o III Congresso Vocacional do Brasil. Deve ser dito em primeiro lugar, que este evento constitui um acontecimento da Igreja como um todo e não de uma pastoral específica. Porque se deve afirmar isto? Unicamente para que tenhamos consciência bem definida de que a Igreja é a Assembléia dos chamados e falar de vocação toca-nos no interior profundo de nossa vida, pessoalmente.
O tema do III Congresso será Discípulos Missionários a serviço das vocações, com o lema Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações (Mt 28,19). Esse Congresso marca a sequência e continuação dos outros dois anteriores (1999 e 2005), nos quais cada um colaborou com uma temática específica e um ideário motivador dos trabalhos da animação vocacional em nosso país. Não vou abordar aqui cada um dos congressos, convidando o leitor a fazer uma consulta ao texto-base deste III Congresso. Mas desejo ir direto ao assunto pelo qual parece que o III Congresso irá ater-se.
No despertar da vocação de cada pessoa está no centro o encontro com Jesus de Nazaré, o Cristo, que nos leva a conversão da vida. Toda vocação constitui um diálogo entre o chamado e Aquele que chama. Essas são premissas básicas da realidade vocacional. Do encontro com Jesus, diz o texto-base, nasce o discipulado, o seguimento e a missão. O serviço de animação vocacional da Igreja no Brasil tem que desenvolver uma pedagogia na qual deve se levar cada batizado, cada pessoa ao encontro com Jesus, que materialize no conhecimento da vida de Cristo e consequentemente conduza-nos a conversão pessoal e também comunitária gerando a missão.
Discipulado e missão não são duas coisas separadas, mas pelo contrário, uma implica a outra necessariamente, pois quem se apaixona tem a necessidade de expandir seu amor. Ao chamado segue a certeza: Deus fala “Vai! Estou com você!” (Ex 28,20). Fala a Moisés, aos profetas, aos apóstolos e a nós hoje. Responder a vocação, ser generoso para com a proposta da Trindade aos seres humanos é a certeza de que Deus está próximo e caminha conosco. Viver a vida a partir deste princípio transforma o medo em possibilidade de mudança, a comodidade em inquietação, o passivismo em indignação.
A grande mensagem que este III Congresso deixará para a Igreja no Brasil será de convocar todos os cristãos a um compromisso responsável de responder ao chamado diante mesmo da realidade que se nos apresenta, numa nova visão de mundo e de homem. O Evangelho de Jesus Cristo é sempre nova possibilidade de renovação e de esperança ao homem de todos os tempos.
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MDT

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vocação: compromisso e responsabilidade

Sabemos claramente que vocação é chamamento de Alguém que somente chama porque se interessa pelo seu interlocutor. Para uma compreensão mais profunda da vida somente podemos admitir: quem nos chama é o Deus da vida que nos doa a vida e nos faz pessoa e apenas cobra de nós que vivamos como pessoa e nada mais.
Nos vocacionados da Sagrada Escritura vemos claramente uma dinâmica que desperta nossa atenção. Entre Deus e o vocacionado estabelece-se um tipo de relação que é real, concreto, vivencial, vis-a-vis, enfim, presencial. O vocacionado está presença de Deus. Em outras palavras Deus é transparente ao humano. A maior dificuldade na prática social em nossos tempos, com relação à sociedade como um todo, está nessa incompreensão no que diz respeito a presença de Deus real frente a história vivencial. Diz-se acreditar em Deus, mas vivemos como se Ele não existisse.
Outrossim, fundamentados na Palavra de Deus, sem dúvida, não podemos afirmar outra coisa que não seja: Deus chama porque Ele é o Amor. Na história da ação de Deus na história dos homens, Deus se mistura em nossa realidade concreta, sempre em defesa de seu povo, e este escravizado por tantas vicissitudes se encontra com seu Deus na concretude dos acontecimentos, tanto que, o povo da Bíblia fala de Deus é narrando acontecimentos.
Deus não se contenta em agir sozinho, mas conta com a colaboração livre de pessoas, muitas vezes consideradas incapazes e resistentes (p. ex. Moisés), outras medrosas (p. ex. o profeta Jeremias), em alguns casos pessoas renitentes (p. ex. Jonas), ainda brutas e rústicas demais (p. ex. Pedro) ou até mesmo perseguidores (p. ex. Paulo). A aventura com Deus, iniciada na dúvida e sob protesto. Certamente nada de grandes iluminações, nada de vozes no sonho. O dado principal que marca a vida destas pessoas é a partida.
Partida rumo ao desconhecido.
Partida rumo a novas margens, mesmo que essas margens ainda sejam desconhecidas.
Partida, simplesmente seguindo a palavra de um Deus que chama e vocaciona.
De um Deus que aborda pessoalmente o homem. Mas que o desafia para um risco. (Renold Blank)
Com isso podemos concluir: Deus chama para se relacionar com o ser humano e para colocar em ação seu projeto de salvação, sem o qual o ser humano não pode encontrar a felicidade plena, que consiste na vinda do Reino de Deus no meio do povo pela prática da justiça, da paz, da igualdade fraterna e do AMOR. E isso acontece quando o compromisso gera responsabilidade pessoal e comunitária (social) em vista da defesa do ser humano.
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MDT

sábado, 24 de julho de 2010

Plebiscito Popular

O Plebiscito Popular pelo limite da propriedade da terra será o ato concreto do povo brasileiro contra a concentração de terras no país, que é o segundo maior concentrador do mundo, perdendo apenas para o Paraguai. Esta consulta popular é fruto da Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra, promovida pelo Fórum Nacional da Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) desde o ano 2000.

A campanha foi criada com o objetivo de conscientizar e mobilizar a sociedade brasileira sobre a necessidade e a importância de se estabelecer um limite para a propriedade. Mais de 50 entidades, organizações, movimentos e pastorais sociais que compõem o FNRA estão engajadas na articulação massiva em todos os estados da federação.
Cada cidadã e cidadão brasileiro será convidado a votar entre os dias 01 e 07 de setembro, durante a Semana da Pátria, junto com o Grito dos Excluídos, para expressar se concorda ou não com o limite da propriedade. O objetivo final é pressionar o Congresso Nacional para que seja incluída na Constituição Brasileira um novo inciso que limite a terra em 35 módulos fiscais, medida sugerida pela campanha do FNRA. Áreas acima de 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público e destinadas à reforma agrária.
"A Campanha da Fraternidade deste ano também propõe como gesto concreto de compromisso a participação no plebiscito pelo limite da propriedade. Um limite para a propriedade faz parte de uma nova ordem econômica a serviço da vida", afirmou Dirceu Fumagalli, membro da coordenação nacional da CPT. Para ele, uma consulta popular, mais do que obter resultados concretos com a votação, é um processo pedagógico importante de formação e conscientização do povo brasileiro sobre a realidade agrária. "São milhares de famílias acampadas à espera de uma reforma agrária justa. São índices crescentes da violência no campo. É o crescimento desordenado dos grandes centros urbanos. Tudo isso tem relação direta com a absurda concentração de terras no Brasil."
Segundo Luiz Claudio Mandela, membro da coordenação colegiada da Cáritas Brasileira, os promotores do plebiscito querem dialogar com a sociedade sobre a concentração de terras no Brasil. "Isso interfere na estrutura política, social, econômica e geográfica do país", ressaltou. De acordo com Mandela, durante toda a campanha estão sendo coletadas assinaturas para que esta proposta seja convertida em um projeto de iniciativa popular. "Para isso precisamos de, no mínimo, 1,5 milhão de assinaturas. Mas pretendemos superar esta meta."
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Do endereço http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=1393

terça-feira, 22 de junho de 2010

Política Diferente

Para re-começar a fazer uma política diferente, conforme a denúncia de dom Dimas:

"A Democracia Representativa
está em crise.
Ela já não responde
aos novos sujeitos históricos,
que exigem
uma participação mais ampla na construção das políticas públicas. Nas circunstâncias atuais,
ela tem seu ponto alto
e quase exclusivo
no momento do voto.
Cumprida essa sua missão,
o eleitor desaparece
como agente político
e delega aos eleitos
a função de agirem em seu nome. Seu ser político
foi outorgado a outrem".